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As armas da infância: uma leitura psicanalítica de "A hora do Mal" ("Weapons"/2025)

  • Foto do escritor: Thiago  Lira
    Thiago Lira
  • 5 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

O mesmo diretor de "Noites brutais" (2022), Zach Cregger, agora traz muito mais do que um susto sobrenatural. O filme é uma exploração brutal do desamparo infantil e da anatomia do trauma. E para entendê-lo, o psicanalista Sándor Ferenczi é o guia perfeito. ​


O filme nos joga em uma cidade paranoica após 17 crianças desaparecerem misteriosamente no meio da noite. O horror se instala não no que se vê, mas no que se perde: a segurança fundamental da infância. Ferenczi cunhou o termo "confusão de línguas" para descrever o choque psíquico do abuso. A criança, que opera na "linguagem da ternura" (cuidado, afeto), é confrontada pela "linguagem da paixão" do adulto (manipulação, violência, abuso). ​


O que acontece quando o trauma é insuportável? Para Ferenczi, a criança se fragmenta. Ela se submete ao agressor e, num mecanismo desesperado de sobrevivência, se identifica com ele. ​O clímax do filme é a encenação perfeita disso. As crianças, mantidas em cativeiro e traumatizadas, não são "resgatadas" passivamente. Quando libertadas, elas se tornam a própria violência que sofreram: elas caçam e despedaçam a agressora. Elas não são mais vítimas inocentes; elas se tornaram a própria "arma". ​


O filme tem como eixo condutor o trauma, que aparece como estrutura central do psiquismo. ​A narrativa não-linear do filme, contada em vinhetas fragmentadas, não é apenas um truque de roteiro: é a própria linguagem do trauma. A experiência traumática não é lembrada, ela é reencenada em fragmentos. ​"A Hora do Mal" termina sem um final feliz. Como Ferenczi nos alertou, o trauma deixa cicatrizes profundas.


A narração final confirma: algumas crianças nunca mais falaram, silentes sob o efeito devastador do traumático. A "arma" não era a bruxaria, mas o trauma psíquico que ela infligiu: uma arma que passa de geração em geração. ​Você já assistiu o filme? O que mais te chamou a atenção nessa perspectiva da infância e do trauma? Conte aqui nos comentários 🩶



 
 
 

Comentários


Thiago Lira
Psicanalista

Clínica Casa da Árvore
Rua Nevinha Cavalcante 122, Miramar
João Pessoa/Paraíba

psithiagolira@gmail.com
(83) 98162-8380

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