E se a "loucura" for a única coisa capaz de salvar a humanidade?
- Thiago Lira

- 1 de mar.
- 2 min de leitura

Em um mundo que muitas vezes parece caminhar de olhos vendados para o abismo, ser perfeitamente "normal" e adaptado a um sistema doente talvez seja a verdadeira patologia.
O filósofo Georges Canguilhem, em sua obra "O normal e o patológico", nos ensina que o normal não é uma média matemática: ser saudável não é simplesmente "ser como todo mundo". É ter a capacidade de instaurar novas normas para sobreviver quando o ambiente se torna hostil.
A verdadeira doença é a rigidez: o patológico é a perda dessa capacidade normativa. É ficar preso a um único jeito de funcionar, mesmo quando ele está te destruindo.
Onde a insanidade entra nisso?
Se a nossa "normalidade" atual for tóxica, aqueles que rompem com ela - os "loucos", os paranóicos, os desajustados, podem não estar doentes. Eles podem estar exercendo uma normatividade radical. A insanidade, nesse contexto, vira um mecanismo de defesa; uma tentativa desesperada de criar uma nova regra para garantir a sobrevivência.
É exatamente essa linha tênue que o filme Bugonia, de Yorgos Lanthimos, explora de forma brilhante. Acompanhamos um protagonista com delírios de conspiração que sequestra uma poderosa CEO, jurando que ela é uma alienígena com planos nefastos para a Terra.
Sem dar nenhum spoiler aqui sobre o que realmente acontece, o filme nos obriga a perguntar: esse cara é apenas um lunático perigoso precisando de camisa de força, ou o único ser humano "anormal" o suficiente para enxergar o que precisamos fazer para salvar o mundo? Onde termina a psicose e começa a visão factual sobre o nosso mundo externo?
Talvez a cura para a humanidade não esteja nos consultórios, mas na coragem de abraçar o absurdo.



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