A amizade como "bordado de almas"
- Thiago Lira

- 20 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Dizem que amizade verdadeira é aquela marcada por lealdade, em laços inesperados que até extrapolam o laço sanguíneo. A amizade é também o bom encontro, a família que escolhemos ter.
Para o filósofo Michel de Montaigne, a amizade genuína é quando duas pessoas se tornam tão unidas que há uma "fusão de almas" - uma identidade mútua tão completa que as individualidades se dissolvem em uma unidade.
Em seus Ensaios, especialmente no capítulo "Da Amizade", ele dedica-se a explorar a natureza dessa relação através de sua própria vivência com o filósofo francês Étienne de La Boétie.
A amizade genuína é voluntária e despojada de interesses: não se baseia em utilidade ou prazer, mas em uma escolha livre e pura. É também exclusiva e rara: diferente de outros laços sociais ou familiares, a amizade é uma forma de união superior.
Um amor sem distinção, que não tolera divisão ou rivalidades. A ideia central é a perda das distinções individuais em favor de uma unidade robusta. Não é sobre se confundir, mas sobre se completar na beleza da parceria, e se unir de forma indistinta.
Montaigne considera a verdadeira amizade como "uma alma em dois corpos", onde a "costura" que uniu os amigos simplesmente desaparece de tão forte e íntima que é a conexão. Esse "bordado de almas" não é uma falha ou correção, como se remendasse vazios, mas sim um processo de intimidade e cumplicidade que se torna invisível na mutualidade. É um laço raro, exclusivo e desinteressado, que vai além de qualquer outra relação. ✨
Essa concepção de amizade carrega um significado potente. Hoje, dia 20/07, é o dia do amigo, então aproveite para marcar um(a) amigo(a) ou mandar o post para essa pessoa preciosa!
Ilustração: Tebe Interesno










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