Adultização infantil, abandono parental e indiferença
- Thiago Lira

- 2 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Em "Ninguém Pode Saber", filme japonês de 2004, somos jogados na dura realidade de quatro crianças que precisam sobreviver sozinhas em um apartamento em Tóquio, depois de serem abandonadas pela mãe.
O filme é desolador, mas também um retrato delicado e doloroso sobre o abandono parental e a adultização infantil. Uma obra-prima silenciosa e perturbadora, baseada em uma história real.
A narrativa explora sem melodramas a crueldade do abandono parental. Vemos a adultização infantil em seu estado mais puro e trágico, quando o irmão mais velho, Akira, de apenas 12 anos, se torna o provedor e o guardião de um segredo doloroso: que eles estão completamente sozinhos. Ele precisa ser pai, mãe e cuidador, cuja infância é roubada para proteger os irmãos.
O filme nos faz pensar sobre o impacto nefasto que a falta de uma figura parental e a inversão de papéis causam na formação do psiquismo. É a infância negada, a inocência perdida e o peso insuportável da responsabilidade sobre ombros pequenos demais. Sob a lente da psicanálise, a película é um estudo sobre a formação do sujeito.
O lar, que deveria ser um espaço de amparo e segurança, se torna uma prisão. A falta de um "outro" adulto para mediar a realidade e oferecer suporte emocional e físico tem consequências devastadoras. O filme nos mostra, de forma sensível, o trauma do desamparo e da carência, e o quanto o vazio da ausência parental pode ecoar por toda a vida. Além do abandono familiar, o filme nos faz questionar a omissão dos adultos e da sociedade diante da vulnerabilidade infantil.
A obra denuncia como a falta de atenção e a indiferença de vizinhos, de professores e da comunidade contribuem para a invisibilidade dessas crianças. Sem causar o mínimo de estranhamento, os adultos ignoram os sinais da ausência de cuidadores, permitindo que a tragédia se desenrole em silêncio. Você já conhecia essa história ou alguma parecida? Deixe nos comentários. 👇










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