Brincar de viver
- Thiago Lira

- 16 de out. de 2024
- 1 min de leitura

Donald Winnicott foi um psicanalista e pediatra britânico que desenvolveu uma teorização sobre a importância do brincar. Para o autor, o brincar é considerado essencial para acessar e compreender a vida subjetiva das crianças. A brincadeira, nesse sentido, valoriza a expressão simbólica de conflitos internos e emoções reprimidas. Ou seja, o brincar é central na constituição subjetiva da criança, no seu processo de simbolização. E o que seria, então, simbolizar? É expressar as emoções e os sentimentos que não foram elaborados pelo nosso aparelho psíquico. Com isso, Winnicott traz conceitos chaves (espaço transicional, objeto transicional, mãe suficientemente boa) que salientam o valor do brincar e da criatividade na segurança emocional dos infantes.
A boa psicoterapia, na verdade, consiste numa expressão do brincar, mesmo quando se trata de um processo terapêutico de adultos, desenvolvendo assim as habilidades de cada um para que a brincadeira seja possível. A díade paciente-analista expressa a potencialidade que cada sujeito desenvolve com a capacidade de brincar, tornando a relação terapêutica um lugar seguro para o paciente. A brincadeira estimula o lado lúdico e da criatividade, além de cumprir a função da simbolização, permitindo que a criança encare as vicissitudes da vida com mais leveza e preparo psíquico.
A concepção winnicottiana do brincar lembra a bela música escrita por Guilherme Arantes, "Brincar de Viver", interpretada por Maria Bethânia:
Quem vai querer voltar pro ninho
E redescobrir seu lugar?
Pra retornar e enfrentar o dia a dia,
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim,
Que a história não tem fim...
Continua sempre que você responde Sim à sua imaginação
À arte de sorrir cada vez que o mundo diz Não










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