Dica de filme para o dia dos pais
- Thiago Lira

- 10 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Baseado nas vivências da diretora, "Um pai para Lily" traz a história de uma jovem solitária, em busca de pertencimento, atravessando problemas nos laços de apego e as marcas do desamparo. Ao mesmo tempo, nos oferece uma ponte fascinante para pensar a amizade, um tema tão caro ao filósofo Michel de Montaigne. Ao transformar suas vivências em arte, a diretora revela as complexidades das relações familiares e seus ecos em nossa vida adulta.
Lily, ao tentar contato com o pai e encontrar um homônimo, nos apresenta um cenário rico para a psicanálise. Essa "troca" no Facebook pode ser vista como um ato falho, uma manifestação do inconsciente de Lily em sua busca por uma figura paterna, mesmo que idealizada ou substituída. A amizade que surge, embora efêmera, preenche uma lacuna, ainda que temporariamente, confirmando a necessidade de conexão e reconhecimento que reside em cada um de nós.
O filme ilustra vividamente como a falta de um referencial seguro nos primeiros anos de vida – o que a psicanálise chama de função paterna e materna insuficientemente estabelecidas – pode moldar a afetividade de um indivíduo. O desamparo paternal de Lily não é apenas um evento isolado; ele se inscreve em sua psique, modulando sua capacidade de formar laços seguros e duradouros. Sua insegurança nas relações sociais não é uma falha pessoal, mas um reflexo de um padrão de apego inseguro internalizado.
A dificuldade de Lily em formar laços demonstra o impacto de experiências primárias na construção de sua identidade e na forma como ela se relaciona com o mundo. A busca por um "pai" – seja ele o biológico ou um substituto – é, em essência, a busca por uma base segura, por pertencimento e por um espelho que reflita seu valor.
"Um Pai Para Lily" nos convoca à introspecção: como as nossas próprias vivências familiares moldaram a forma como nos relacionamos hoje? Quais "pais" buscamos em nossas vidas e o que eles representam para o nosso inconsciente? E, inspirados por Montaigne, como as amizades, mesmo as mais inesperadas, podem nos oferecer o refúgio e o espelho que precisamos para florescer?










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