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"O que não puder falar, assopre"

  • Foto do escritor: Thiago  Lira
    Thiago Lira
  • 6 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de set. de 2025


"Monster" (2023), do aclamado diretor japonês Hirokazu Kore-eda, veio para nos lembrar de uma verdade poderosa: a infância é um universo com leis próprias, e nós, adultos, esquecemos como habitá-lo.


​O filme é uma aula de sensibilidade ao mostrar como a percepção infantil é complexa e ativa. A criança não é uma folha em branco, mas uma construtora de mundos, conectando suas vivências internas e o que acontece ao seu redor de uma maneira única. O que para nós pode parecer fantasia ou ingenuidade, para ela é pura lógica.


E essa complexidade não está só no universo infantil. O roteiro genial nos mostra a mesma história por três pontos de vista: da mãe, do professor e da criança. A cada nova perspectiva, nossas certezas são demolidas.


Numa cena emblemática, a direção da escola diz ao professor que "o que realmente aconteceu não importa". Nesse diálogo, fica evidenciado que a Verdade é uma construção parcial e fragmentada, nunca se apresenta de forma absoluta. Tem nuances e sutilezas. O que chamamos de "monstro" é, muitas vezes, apenas a parte da história que não conhecemos.


​"Monster" escancara o nosso fracasso em tentar decifrar as crianças com um olhar puramente adulto. Vemos diferentes personagens tentando entender o comportamento e as falas de um menino, mas cada um projeta seus próprios medos e verdades, passando longe da real complexidade do que ele está sentindo.


​E é nesse ponto que o filme nos entrega uma das suas maiores belezas: a arte como válvula de escape. Como quando soprar um instrumento se torna a única forma de colocar para fora o que está represado, o que as palavras ainda não verbalizam. É a manifestação pura e verdadeira de um mundo interno que anseia por ser compreendido.


​O filme é um belo convite para pararmos de impor nossa lógica e aprendermos a interpretar a linguagem singular da infância. Mais do que entender, é preciso sentir junto, observar com o coração e traduzir com afeto.


​Se você se interessa por psicologia, psicanálise e educação, ou simplesmente gosta de grandes filmes que abalam suas certezas, "Monster" é uma escolha certeira. Uma obra delicada sobre a importância de nos conectarmos com a potência da percepção infantil.


 
 
 

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Thiago Lira
Psicanalista

Clínica Casa da Árvore
Rua Nevinha Cavalcante 122, Miramar
João Pessoa/Paraíba

psithiagolira@gmail.com
(83) 98162-8380

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